O estado de São Paulo tem fama de produzir cachaças industrializadas, com grande volume de produção e marcas de relevância mundial. No entanto, há um emergente cenário de produtores artesanais se destacando em diversas categorias de produção, como cachaça, gin, vodca, vermute, licor e aguardente composta. No interior do estado, há propriedades familiares que começaram esse ofício motivadas pela crise do café, em 1929, e pelo desenvolvimento da cultura canavieira, fazendo do interior paulista a região com maior oferta de cana de açúcar do mundo. As terras férteis, o clima e o relevo favoráveis, as águas fluviais de excelente qualidade e a mão de obra de famílias imigrantes europeias contribuíram para a popularização dos engenhos de aguardente no estado. Mas, com a chegada de grandes usinas de álcool e açúcar a partir da década de 1950, o arrendamento de suas terras ou o fornecimento de cana-de-açúcar para a indústria mostraram-se mais rentáveis para esses pequenos produtores de aguardente. A economia favorável para a produção de etanol e os impostos abusivos para a produção de aguardente foram os principais fatores que levaram ao desaparecimento e aos altos índices de informalidade dos alambiques paulistas. Porém, a recente demanda por destilados de qualidade superior e o desenvolvimento da coquetelaria nas principais capitais têm reativado a indústria paulista de destilados, unindo tradição, novas tecnologias e a formalização do mercado produtor.