A produção de destilado em Minas Gerais começou no século XVIII com o declínio da economia do açúcar brasileiro e a substituição pela extração de ouro mineiro como principal atividade econômica. Nesse contexto, com o início da interiorização do Brasil — ou seja, o avanço de expedições, como as bandeiras, pelo interior do país —, centros urbanos foram estabelecidos ao longo de toda Estrada Real, criando pequenas indústrias de cachaça e aguardente para abastecer a emergente população. Os viajantes que passavam pela Estrada Real levavam barris de madeira abastecidos com cachaças produzidas em São Paulo, na Bahia e no Rio de Janeiro. Ao longo da viagem, a cachaça em contato com a madeira acabava amarelando e adquirindo aromas e sabores próprios. Há quem diga que daí surgiram o hábito e o gosto de envelhecer cachaças em barris de madeira no interior de Minas Gerais. A tradição de produção em pequenas unidades familiares faz de Minas Gerais o estado com o maior número de produtores de destilados do Brasil, com destaque para região de Salinas, Januária e ao longo de toda Estrada Real. A cultura de produção artesanal, nos últimos anos, também inspira a produção de outras categoriais de destilados além de cachaça, como whisky e gin, com a proposta de inovar trazendo ingredientes brasileiros nas suas receitas.